A Câmara Municipal do Rio de Janeiro foi palco, nesta terça-feira (5/11), de um importante debate sobre inclusão e diagnóstico precoce do mutismo seletivo infantil. O encontro reuniu educadores, familiares, profissionais da saúde e especialistas no tema, reforçando o compromisso do Legislativo carioca com as políticas públicas voltadas à saúde mental e à educação inclusiva.
A iniciativa faz parte das ações em alusão ao Dia Municipal do Mutismo Seletivo Infantil, comemorado em 31 de outubro, data instituída por meio da Lei de autoria da vereadora Tânia Bastos, que vem se destacando na defesa de causas voltadas à infância e à inclusão escolar.
Durante o evento, a vereadora Tânia Bastos ressaltou a importância da conscientização e da capacitação das escolas para acolher crianças com o transtorno:
“O mutismo seletivo ainda é um tema novo para muitas pessoas. É essencial que as escolas estejam preparadas para identificar e acolher essas crianças, garantindo que elas tenham acesso a um ambiente escolar seguro e inclusivo”, afirmou.
Especialistas reforçam importância do diagnóstico precoce
O debate contou com a presença de Ana Cláudia Peixoto, professora do Departamento de Psicologia da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) e autora do primeiro doutorado sobre mutismo seletivo no país.
A pesquisadora destacou o avanço representado pelas leis e ações implementadas no município:
“Quase 20 anos depois da defesa da minha tese, poder ver leis sendo publicadas e o tema ganhando espaço na sociedade é muito significativo. É o resultado do trabalho da Francilene e da vereadora Tânia Bastos, que têm ampliado a conscientização sobre o mutismo seletivo”, afirmou.
Também participou a especialista Francilene Torraca, coordenadora do projeto ‘Ansiedade e Mutismo Seletivo – Crianças que Superam’, referência nacional no tema. Ela destacou o impacto das políticas públicas criadas a partir da atuação parlamentar:
“Por muito tempo não existiam políticas públicas voltadas ao mutismo seletivo. Hoje, graças à atuação da vereadora Tânia Bastos, estamos conseguindo dar voz a famílias e crianças que antes eram invisíveis para o sistema”, enfatizou.
Avanços e compromissos
Durante o encontro, ficou acordada a realização de uma reunião com o secretário municipal de Educação, Renan Ferreirinha, para tratar da implementação de ações de inclusão nas escolas e da produção de materiais didáticos adaptados para alunos diagnosticados com o transtorno.
O mutismo seletivo é um transtorno de ansiedade infantil caracterizado pela dificuldade de fala em determinados contextos sociais, mesmo quando a criança se comunica normalmente em casa. Quando não identificado precocemente, pode gerar impactos emocionais e sociais que se estendem até a vida adulta.
Mais do que um evento, o debate foi um momento de escuta, troca de experiências e esperança — um passo fundamental para garantir que todas as crianças sejam ouvidas, mesmo quando o silêncio fala mais alto.
Ascom Vereadora Tânia Bastos